Osteoporose

Osteoporose

Hoje vamos falar de uma doença que parece distante para muitas pessoas, mas que na verdade nos espreita silenciosamente ao longo da vida: a Osteoporose. Todo mundo tem uma vó, tia, sogra, amiga do vizinho ou conhecida que descobriu a doença após uma queda. Por isso, associamos a osteoporose sempre à “terceira idade” e exclusivamente às mulheres. De fato ela se manifesta nesta fase da vida, mas seu processo de instalação começa muuuito antes. Ah, e só pra deixar claro, atinge os homens também, viu? A melhor parte é que, na maioria das vezes, nós podemos prevenir seu aparecimento adotando algumas práticas em nossa vida.

Resumidamente, a osteoporose é a perda acelerada de massa óssea que ocorre durante o processo de envelhecimento e deixa os ossos porosos e frágeis.

A estrutura do nosso esqueleto vive em constante renovação. Ganhamos massa óssea até por volta dos 20 anos e perdemos com maior velocidade depois dos 40. A primeira etapa da degeneração óssea que ocorre quando envelhecemos (chamada osteopenia) tem início com o desequilíbrio entre a formação e a reabsorção óssea: as células de reabsorção passam a agir mais rapidamente, degradando osso com maior velocidade do que as células de regeneração são capazes de repor.

Nas mulheres, esse desequilíbrio começa a se evidenciar a partir dos 35 anos de idade (pois é, meninas, cedo, né?). As mudanças hormonais por volta dos 50 anos com a chegada da menopausa interferem de forma decisiva na perda e ganho de massa óssea. Isso porque há uma queda acentuada na produção de estrogênio, hormônio importante na fixação do cálcio no osso. Três em cada quatro pacientes com osteoporose são do sexo feminino, principalmente as mulheres na fase pós-menopausa (estima-se que um terço das brasileiras nesta fase da vida desenvolvem osteoporose). Já nos homens, o esqueleto se mantém quase intacto até os 40 anos porque a testosterona tem um efeito preventivo contra o desgaste ósseo. E, ao contrário do que ocorre com o hormônio feminino, a produção de testosterona diminui aos poucos. O mais comum é que as fraturas osteoporóticas nos rapazes ocorram após os 70 anos.

Os locais comumente afetados pela doença são a coluna, o pulso, o colo do fêmur (o mais frequente) e o quadril (o mais debilitante, pois fraturas nesta região requerem imobilização prolongada e limitação de movimento).

Mas além de fraturas e quedas, a perda da massa óssea está associada uma série de problemas associados como: dor crônica, deformidades no corpo, o famoso “encolhimento” do idoso e problemas nas vértebras que provocam doenças gastrintestinais e doenças respiratórias, incluindo pneumonia.

Alguns fatores de risco para osteoporose incluem: pele branca; histórico da doença na família; sedentarismo; baixa ingestão de fontes de cálcio e baixos níveis de vitamina D; tabagismo e consumo de álcool em excesso; uso de certos medicamentos (anticonvulsivantes, hormônio tireoidiano, glicocorticoides e heparina); e doenças como comprometimento renal, disfunção da tireoide e doenças do sangue e autoimunes.

A osteoporose é uma doença silenciosa e não apresenta sintomas. Em geral, o problema só é detectado em estado avançado, quando existe a deformação de ossos provocando dor crônica ou quando ocorre uma fratura. Contudo, mantendo-se acompanhamento médico regular, é possível identificá-la precocemente e dar inicio ao tratamento mais adequado a cada caso para melhorar a qualidade de vida do paciente.

O principal exame para diagnosticar a osteoporose é a densitometria óssea. É recomendado que se faça o exame da densitometria óssea nos seguintes casos: mulheres com 65 anos ou mais, e nas que tenham doenças que causam perdas ósseas; mulheres na menopausa ou em transição, com 50 anos ou mais, que tiverem pelo menos os seguintes problemas: fratura após a menopausa ou após os 50 anos; magreza excessiva; pais com história de fratura no quadril; artrite reumatoide; fumantes; ingestão excessiva de álcool.

A perda gradativa de massa óssea é uma condição normal e esperada do envelhecimento. Contudo, desde que não seja secundária a uma outra doença, a perda acelerada e excessiva que caracteriza a osteoporose pode ser evitada. Algumas recomendações ajudam na prevenção desde sempre mas principalmente depois que entramos nos ENTA:

– Boa ingestão diária de alimentos ricos em cálcio (cerca de 1200 UI de cálcio por dia);
– Prática regular de exercícios físicos que que estimulam a formação óssea e previnem a reabsorção como caminhada, hidroginástica, dança, Pilates;
– Exposição moderada ao sol diariamente para que ocorra a síntese da vitamina D (uns 15-20 minutos pela manhã são suficientes);
– Evitar os velhos conhecidos hábitos deletérios: tabagismo e consumo excessivo álcool.

A osteoporose é uma doença sorrateira, não espere ela pegar você de surpresa. Podemos e devemos fazer nossa parte para evitar seus efeitos. Além dos cuidados acima, o check up clínico regular é imprescindível para identificar a necessidade de suplementação de cálcio ou vitamina D e exames mais específicos de forma preventiva ou mesmo detectar precocemente o início de um processo de osteoporose e estabelecer o plano de tratamento mais adequado. Aqui vale um alerta especiais à meninas com mais de 40 e aquelas que chegaram à menopausa: cuidem-se e conversem com seu médico.

Informação e prevenção são nossos maiores aliados!

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