Impactos do sono na fome

Impactos do sono na fome

A melatonina é um hormônio conhecido há tempos por seu papel na regulação do nosso sono. Mas hoje sabe-se que ela também exerce uma ação fundamental no controle da fome, no acúmulo de gorduras e no consumo de energia. Já foi comprovado que a variação nos níveis de melatonina ao longo do dia afeta o consumo e o gasto de energia, alterando o chamado balanço energético do organismo. Em um estudos com animais de laboratório, aqueles que não produziam melatonina apresentaram distúrbios associados à obesidade tais como comer mais e fora de hora, níveis mais elevados de açúcar (glicose) e de gorduras (lipídios) no sangue e menor gasto de energia.

O metabolismo energético tem uma organização de tempo sincronizada pela melatonina. À medida que escurece, nosso corpo passa a liberar melatonina até atingir sua concentração máxima, o que ocorre lá pelo meio da madrugada. A partir deste ponto, a concentração do hormônio diminui e permanece baixa durante o resto do dia. As concentrações mais baixas de melatonina coincidem com o período de maior atividade do individuo, que é quando nos alimentamos. A energia armazenada na forma de gordura ou de estoques de açúcares durante o dia garante que o nosso organismo funcione durante o sono, quando passamos horas em jejum. Uma parte significativa dessa energia é usada manter o corpo aquecido e, na teoria, o consumo de energia à noite compensa o que foi estocado durante o dia.

Quando os níveis de melatonina estão excessivamente baixos, o cérebro deixa de perceber a saciedade, o que leva a um aumento do apetite e aos famosos “lanchinhos fora de hora” ao longo do dia.
Estudos apontam também que, na deficiência ou ausência da melatonina, o corpo produz mais hormônios que induzem a fome. Para piorar, o organismo gasta menos energia, o que causa acúmulo de gordura e, consequentemente, aumento de peso. A melatonina também regula o ciclo de produção de hormônios como o cortisol, liberado em situações de estressantes; da leptina e da grelina, que regulam a fome; e do hormônio do crescimento, que auxilia na reparação de danos celulares. E, de acordo com pesquisas recentes, a melatonina pode auxiliar no controle da glicemia e dos níveis de lipídios e colesterol.

Para ter uma boa produção de melatonina naturalmente, é preciso respeitar o seu padrão de sono-vigília. O sono deve ser reparador, se acordamos cansados, alguma coisas está errada! O tratamento feito com a melatonina sintética pode ser indicado para pacientes que sofrem de insônia, pois ajuda o corpo a ajustar o relógio biológico, ou seja, regula o sono durante a noite e a disposição (e o apetite) durante o dia. Porém doenças que causam alterações no sono, como problemas da tireoide, apneia do sono e depressão, devem ser investigadas por especialistas para fechar o diagnóstico, pois não são tratadas com melatonina.

Se você estiver sofrendo com alterações do sono, procure um médico para que ele lhe indique o tratamento mais adequado. Nunca se automedique. Lembre-se de que a melatonina É UM HORMÔNIO e só deve ser prescrito por um médico, pois possui contraindicações e interage com diversos medicamentos.

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