Alergia ao Leite não é o mesmo que Intolerância à Lactose!

Alergia ao Leite não é o mesmo que Intolerância à Lactose!

Muitas pessoas confundem a intolerância à lactose (assunto do nosso último post) com a alergia ao leite, mas essas são condições bem diferentes, assim como seus tratamentos! Na intolerância, o problema está na carência da enzima lactase responsável pela digestão da lactose (um açúcar exclusivo do leite), sendo, portanto, uma reação do intestino. Já a Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) constitui uma resposta do sistema imunológico as proteínas presentes no leite de vaca e seus derivados (queijo, iogurte, creme de leite, manteiga, etc.), podendo afetar diferentes órgãos e ter sérias consequências em casos mais graves. O intolerante, na maioria das vezes, só precisa ajustar a dose diária de lactose que seu organismo suporta. Já o alérgico precisa retirar da dieta toda e qualquer presença da proteína do leite de vaca, inclusive alimentos que contenham traços mínimos desse nutriente, medicamentos e até produtos de higiene cujas fórmulas possuam ingredientes à base de leite.

A APLV é mais comum nos primeiros meses e anos de vida e os sintomas tendem a diminuir e desaparecer com o passar do tempo. É raro que se manifeste pela primeira vez somente na adolescência ou na fase adulta. Como a APLV pode afetar recém-nascidos e bebês pequenos, uma das dúvidas das mamães é se elas devem interromper a amamentação. Não! Elas não só podem, como devem continuar amamentando por todos os benefícios que já sabemos que a amamentação proporciona. No entanto, durante o período de amamentação, a mães precisam manter uma rígida dieta restritiva em leite e seus derivados, sendo fundamental a leitura dos rótulos dos alimentos industrializados, pois a presença de mínimos traços de leite já pode desencadear sintomas no bebê. Após o desmame, passa-se ao uso de leites infantis com fórmulas especiais que possuem potencial baixo de disparar uma reação alérgica. Os sintomas da APLV atingem, principalmente, o sistema digestivo e incluem diarreia ou intestino preso, muco ou sangue nas fezes, vômitos, cólicas frequentes e refluxo gastroesofágico. Podem ocorrer ainda problemas respiratórios, dificuldades de ganho de peso, crescimento e desenvolvimento. A APLV pode apresentar também sintomas cutâneos, como urticária, dermatite atópica, coceira na pele e inchaço de pálpebras e lábios. Finalmente, a complicação mais perigosa da APLV é o choque anafilático decorrente de uma reação alérgica grave.

Para todos os casos, é importante lembrar que produtos “zero lactose” ou “lac-free” não contém o açúcar do leite mas podem apresentar proteínas do leite, portanto, é preciso estar muito atento às informações do fabricante. Não é fácil, mas é possível levar uma vida saudável sem leite, buscando fontes alternativas como leites de origem vegetal, como o leite de castanhas, por exemplo.

Importante: o leite de soja não é recomendado pois o risco de alergia concomitante à soja é grande em alérgicos ao leite. As lactantes e crianças maiores com APLV devem ter a dieta reforçada com outras fontes de cálcio, como brócolis e folhas verdes escuras.

Se você reconhece os sintomas mencionados neste post, consulte um médico capacitado para fazer uma avaliação clínica e os exames laboratoriais específicos, diagnosticar uma possível APLV e, juntamente com o nutricionista, definir o melhor manejo para o caso.

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